domingo, 28 de agosto de 2011

PASSADEIRA NEGRA

Crise tripla. Nos Estados Unidos da América, na União Europeia e em grande parte do Mundo apanhado nesta onda. Barack Obama, no entanto, afirma que a América continua a ter um triplo A. Uma mentira servida em bandeja como se fosse uma verdade. O lema de Obama – yes we can - não funciona. A crise não está, de maneira nenhuma, ultrapassada e ninguém sabe como e quando se resolverá. As eleições presidenciais americanas terão lugar em 2012 e Obama terá à perna o Tea Party, uma oposição fortemente contestatária.

Uma coisa é a mentalidade anglo-saxónica outra a alma latina. Os emigrantes, quer legais ou ilegais - 40% da população americana é de origem hispânica - exactamente aquela que correu atrás do sonho americano, afinal está a matá-lo.

A divida dos Estados Unidos é imensa. A China já afirmou que não lhes emprestará nem mais um cêntimo.
Sintomática a retirada, ainda que gradual, das tropas americanas dos teatros de guerra, sintomático os cortes financeiros à Nasa para novas conquistas no espaço e mais do que sintomática a desvalorização do dólar.

Esta crise tem uma dimensão que faz dela uma catástrofe humana segundo afirmou o prémio Nobel de Economia Paul Krugman.

Não é só a crise monetária e financeira que atormenta as gentes. Numa sucessão vertiginosa sucedem-se fatos hediondos como o duplo massacre na Noruega, e os recentes tumultos em Inglaterra. Onde está o génio dos génios que descubra uma nova formula para governar esta casa de loucos?

A riqueza real ou fictícia existe desfilando pelas passadeiras vermelhas. No caso da amostragem de fatos de grande luxo e de jóias sumptuosas, estes atavios são emprestados pelas casas de alta-costura e pelos os ourives que optaram por este meio para fazerem propaganda das suas criações. De qualquer forma aos olhos do espectador comum, estes espectáculos acirram os ânimos, já de si,  tão exaltados.

Os jovens criminosos dos violentos distúrbios em Inglaterra são basicamente de cor, mas britânicos. Não trabalham, mas são subsidiados. Usam telemóveis topo de gama para se organizarem e comunicarem à velocidade dos acontecimentos que desencadeiam. Nada lhes basta, querem mais, muito mais. Droga, roupa de marca, futilidades. Esta juventude revolta-se e cai no crime feito de ódio ou até de nada, apenas pelo espectáculo, a confusão, o caos esperando nem ela sabe o quê. As explicações para estes fenómenos cabem aos psicólogos e sociólogos se as souberem dar.

Uma coisa é certa - a democracia actual, que à força queremos impor a todo o Mundo, já não serve para governar os povos. Está a colocar-nos numa passadeira negra e somos obrigados  a  percorrê-la,  ora passo a passo ou arrastando-nos.

Dizia-se que a Televisão foi a caixa que mudou o Mundo e mudou, mas as caixinhas diabólicas por onde chegamos à Internet estão a afundá-lo. Se é possível comprar através de um Leilão da e.bay urânio, fica tudo dito

O nosso Governo está a fazer tudo para por a casa em ordem sob o comando da Troika. Os seus três representantes regressam em Dezembro e esperamos que não volte a acontecer fazê-los esperar como sucedeu no último encontro na Assembleia da Republica. (A dona da casa chegou depois dos convidados). Os portugueses ainda não se compenetraram que a pontualidade é a Mãe de todos os valores. Num segundo morre-se ou está-se vivo, num simples segundo tudo pode mudar. É tão poderoso que nele encerra passado, presente e futuro.

A nossa geração é uma fazedora de erros, todavia a criadora de alta tecnologia que faz brilhar de forma assombrosa as actuais obras de arquitectura, tecnologia que faz quase milagres na Medicina, mas quando utilizada para o mal é o terror.

Preocupa-nos, de sobre maneira, que neste nosso país de sol e vento, a emigração não estanque. Quem ficará para trabalhar, produzir e pagar os impostos? Mesmo aqueles que vieram para Portugal à procura de melhor vida estão a abandoná-lo. A fuga diária de milhões de euros para as Ilhas Caimão e outros paraísos fiscais é um crime de lesa-Portugal.

Também é frustrante termos as prisões cheias de «inquilinos» tratados com um conforto desmesurado (cama, mesa, roupa lavada, assistência médica e psicológica, medicamentos, visitas intimas), tudo isto de graça, pois as contas são para serem pagas pelos contribuintes. A nossa Justiça para lá de lenta é inexplicavelmente demasiado branda. Razões que levam muitos, na hora de escolherem um rumo a dar à vida optarem pela marginalidade. E temos criminosos que não estão onde deveriam estar (atrás das grades) os pedófilos, os pirómanos, os ladrões, os violentadores domésticos, os abusadores de velhos ou doentes mentais e até homicidas, muitos deles limitados a uma presença periódica numa esquadra, momentos preciosos que lhes roubam, e lhes fazem falta para continuarem a prevaricar. A autoridade policial é frouxa. Os policias escassos e pagam do seu bolso um rasgão na farda ou um raspão num carro e não só.

A policia inglesa, entretanto, fez mais de 1600 detenções e formalizou mais de 600 processos. Os presos não estão fechados em cadeias mas enfiados em fardetas bem coloridas dirigidos pelos proprietários das construções destruídas trabalhando, duramente, para voltarem a reergue-las. Polícia britânica rápida, pragmática, eficiente.

Já foi dito que a nossa Policia de Segurança Publica e Guarda Nacional Republicana têm em falta 200 milhões de euros. Sendo assim...

A insegurança acabará por afugentar o Turismo e o cidadão comum viverá em permanente sobressalto.

O melhor é acabarmos aqui antes de escrevermos alguma palavra que não faz parte do nosso léxico habitual, embora vontade não nos falte.

RAPALADO

domingo, 14 de agosto de 2011

NOS BRAÇOS DO VERÃO

É uma questão de coerência. Pela data em que nos encontramos falar-vos de calor e verão. Herdamos pouca Terra e muito Mar. Pena é não haver capacidade para explorar tamanha riqueza. Temos muitas praias que estão a abarrotar de gente. Já nada é como foi nem mesmo o Sol que nos chega através dos buracos existentes na camada de ozono. 

Bastam-nos apenas uns escassos dez minutos diários de exposição ao Sol para repormos a vitamina D de que precisamos e o nosso organismo não produz.

Noutros tempos, um número reduzido de pessoas (talvez as privilegiadas), iam fazer praia só em Setembro antes da época das marés vivas e tomavam banhos curtos e revigorantes. Jamais se esparramavam aos raios solares como se fossem bacalhaus em secagem.

Nos tempos actuais há uma espécie de fobia, de uma atracção apelativa, sobretudo nos jovens, pelas grandes aglomerações como se só inseridos numa multidão se sentissem gente e a fazer parte do mundo. As praias são um destes locais de ajuntamento.

A moda de se estar bronzeado foi lançada por Coco Chanel por volta dos anos vinte do século passado. Coco, no fundo uma provinciana, fez carreira na alta-costura e dizia que a moda é aquilo que passa de moda e esta, como qualquer outra, também passará.

Já há muita gente a seguir numa direcção diversa procurando qualidade de vida, tempo para viver devagar os momentos livres. São os metro sexuais - Homens heterossexuais cuidados, elegantes, com um estilo de vida precisamente afastado das grandes massas, muitos  deles com um trabalho independente e fora das grandes metrópoles.

As praias ou quaisquer outros locais estão na moda durante um período limitado enquanto são frequentadas por certas elites ou celebridades. Deixam de o ser logo que invadidas por pessoas atraídas por um sítio que está na moda. Um caso típico deste fenómeno foi Marbella, no sul de Espanha. A estância balnear mais elegante de França, Deauville desde que foi construída a auto-estrada (route du Soleil) que vem do Norte de França em direcção à Côte d´Azur voltou a recuperar a sua elegante clientela. A corrida por esta auto-estrada para o Sul foi alucinante e os engarrafamentos de trânsito de tal ordem que a lentidão permite que se coloquem colchões de praia nos tejadilhos dos carros e assim fazerem um prévio bronzeamento chegando ao destino com uma corzinha como se lá estivessem há muito tempo! Vidas de faz de conta.

A juventude diverte-se em qualquer circunstância. Basta sermos novos para tudo ser risonho e despreocupado, pouco lhes importa o que vai pelo mundo, seguem os seus impulsos imediatos, e viva a vida! Pois vivam-na com todo o ardor que tiverem dentro da alegria que vos é própria mas fugindo do Sol excessivo. O cancro da pele mata e viver é um bem como não há outro de tanta valia. Nem todo o ouro do Mundo vale uma vida, a nossa.

RAPALADO