A grande desgraça de Angola não foi a morte de Jonas Savimbi nem sequer a permanência do camarada Dos Santos no poder (Dos Santos é uma ironia para o nome de um «exemplar comunista»). A grande tragédia de Angola é ser muito rica onde a maior parte da população se derrete em miséria. Em Angola a prepotência está casada com a corrupção, a riqueza com a cobiça e a pobreza com ela própria.
Enquanto tudo isto o Ditador, porque de um verdadeiro ditador se trata, defende-se dizendo que foi eleito, enche-se de dinheiro. Só de Cabinda, onde se retiram 600.000 barris de petróleo POR DIA, vão para o seu bolso, do melhor fato que se possa imaginar, 3 dolares por cada barril. O leitor quer fazer estas contas? São apenas uma pequena parcela do erário global. Mas há mais números dignos de serem lidos.
Um em cada três angolanos está no desemprego.
70% vive com pouco mais de 1 dolar por dia.
3% usufrui ostensivamente da imensa riqueza do país.
Basta apenas esta amostragem para se compreender a revolta, acompanhada de toda a parafernália usual em tais circunstâncias: pancadarias: julgamentos sumários, feridos, e até agressões a jornalistas portugueses. O contágio com tudo aquilo que se vai desenrolando na Tunísia, Líbia, Costa do Marfim ou Egipto tem o seu peso.
Este Presidente, um comunista-caviar, só calça sapatos italianos, só veste do melhor e só faz férias no sul de França, Espanha, Dubai ou Brasil. Porque Diabo não as vai gozar em Cuba ou na Coreia do Norte?
Não vão matar ao vivo o Presidente, isso são práticas de americanos imperialistas. Dos Santos prepara a sua retirada e já escolheu o seu sucessor – Manuel Vicente. É presidente da Sonangol, e claro, do MPLA. Cuida ao milímetro da sua segurança pois ainda quer abocanhar o possível durante um período de ano e meio. Para onde irá viver? Em Portugal os seus investimentos e da sua filha Isabel são diversificados. A filha, Isabel dos Santos, associou-se ao homem mais rico de Portugal, Amorim o nosso milionário que diz ser tão só um trabalhador; anda a comprar o Bairro do Restelo, em Lisboa e tem umas açõeszitas no Banco que elegeu. O pai, já tem há uns tempos negócios de azeite, imaginem, na Terrugem uma pequena povoação muito perto de Borba no chamado Alentejo «In» (aquele que está na moda). Terrugem onde pouco existe mas com um dos restaurantes mais caros da região. Umas insignificâncias ao lado de todos os dinheiros e investimentos espalhados por todo o Mundo. São donos de uma fortuna que é um Mar sem fim. Que andamos nós a fazer indo de caravela até Angola, é bem verdade que guardado está o bocado para quem o há-de comer.
Seja como for as coisas em Angola estão pretas. De que outra cor poderiam ser?
Ditador por ditador, ainda não encontraram Muammar Kadhafi. Quem sabe se não estará na casa parisiense de Sócrates que o achava tão carismático? Estarão ambos a estudar filosofia? Não desistam. Procurem-no.
RAPALADO