domingo, 27 de março de 2011

Pão Nosso

Tocar no pão, ou seja subir o seu preço é o princípio de um fim desastrado.
Sempre o foi.
Já todos o sabemos que o valor dos cereais aumenta devido ao fato de os mesmos serem utilizados para a produção dos combustíveis. Também notamos que o custo da energia eléctrica deu um salto para cima considerável.

Fazendo uma simples análise chegamos à conclusão que “o comer” como lhe chama o povo, vai a caminho de preços incomportáveis.

O aumento do custo do pão (a comida) sobretudo em Portugal, que traz no subconsciente o espectro de muita fome que já passou, é assustador.

Na vida de muita gente o mais importante é ter a barriga cheia, e quando em vez de pão tiver apenas o preço deste, a dar-lhe voltas no estômago, as coisas ficam muito complicadas.

Também é verdade que muitas pessoas, julgando-se ricas, quiseram ter tudo o que os outros tinham. Só um euro? É barato... São os endividados. Se perdermos o euro a vida subirá, pelo menos, dez vezes. E então?
     
Se isto acontecer não nos espantaria ver gente pálida de fome a conduzir carros e outra, sem pão nem combustível, a destruir com picaretas as Scut e auto-estradas. Ao libertar tais espaços do asfalto ficaria com terra para sobreviver plantando batatas. Ao terreno chamaria seu por que o andou a pagar.

Entretanto o primeiro-ministro areja-se num vento de imunidade chamada crise mundial. Esse vento ou outro, escova-lhe o fatinho Armani que usa com desplante como se estivéssemos a viver em tempos áureos.

Esperamos que não diga como a Rainha Maria Antonieta - se não têm pão dai-lhes brioche – Há uma diferença abissal. A Rainha nunca na vida terá comido pão, nem em Schönbrunn, nem em Versalhes e entende-se a razão de desconhecer a importância simbólica e real do pão

Já José Sócrates ainda desplumado, comeu muita carcaça no tempo em que era conhecido por Zézito da Covilhã mas hoje sabe muito bem o peso que tem o pão numa sociedade

Senhor primeiro-ministro tenha decoro e respeito por aqueles a quem impõe uma austeridade logo seguida de uma outra (a Alemanha obriga). Todavia sob os seus olhos e complacência surripia-se sem pejo o pouco dinheiro que resta nos bolsos da maioria dos portugueses.

Desejamos-lhe um sono agitado e pejado de pesadelos onde se sinta orgulhosamente só como o velho Ditador, e por favor deixe o seu triunfante sorriso em casa.
Um sorriso que é, dadas as circunstâncias em que se vive, um desaforo.

Se o Governo cair, e com ele o atual primeiro-ministro, o engenheiro “mais ou menos” já afirmou que se recandidatará.

Compreende-se. Deixar de governar como lhe dá na plebeia gana; acabar-se-lhe o espavento, as mordomias, as viagens, os motivos para as suas maldades socráticas, são perdas excessivas.

O mais acertado é esperarmos e deixarmos correr, só que ninguém sabe exactamente o quê.

RAPALADO

domingo, 13 de março de 2011

O BURACO DA FECHADURA

A História sempre foi escrita pelos vencedores o que lhe rouba credibilidade e isenção.
São necessários passarem longos anos, ou até séculos, para se chegar o mais perto possível daquilo que ocorreu de fato.
Eis a razão pela qual sempre nos seduziu e de certa forma nos divertiu o que os franceses designam por petite histoire. Ela funciona como um buraco da fechadura por onde espreitamos incidentes, situações, ditos que como por magia nos colocam em determinado local, época ou ambiente.

É por demais conhecido que Madame de Pompadour (Marquise de Pompadour) a guardadora dos segredos de Luiz XV beijada muitas vezes pelo Rei na testa, inventou os saltos que mandou colocar nos sapatos. Mais alta teria os beijos onde mais desejava: na boca.

Quando o avô de Letizia Ortiz soube que a neta iria casar com o Príncipe herdeiro do trono de Espanha, o homem que era taxista soltou um valentíssimo palavrão, palavrão de tal calibre que jamais aparecerá na História.

Debaixo da cama onde dormia Sir Winston Churchill encontravam-se sempre incontáveis garrafas vazias. Morreu com 90 anos e foi gerado em sete meses apenas.

Cama por cama. O Imperador da Áustria, Francisco José dormiu toda a vida numa cama de campanha, embora vivesse no palácio de Schönbrunn.

A nossa Rainha Dona Amélia como boa francesa que era, lidava com habilidade as agulhas e as linhas. Retocava ou modificava os seus chapéus, por economia. A sua sogra, a Rainha Maria Pia, gastava à doida. Louca mesmo, acabou de regador na mão regando as flores dos tapetes do Palácio da Ajuda.

Palácio da Ajuda onde têm lugar os Jantares Presidenciais. Num desses repastos um criado alertou – aquele “marrequinha” meteu o cinzeiro de prata no bolso! O “marrequinha” em questão era nem mais nem menos do que Andreotti, na altura Primeiro-ministro italiano. Giullo Andreotti. Democrata cristão e da Máfia… À roda dos anos oitenta deixou de ser usada, nestes formais jantares, a magnífica baixela Germain. Ainda bem.

Prata por prata, em absoluto segredo (de Estado) D. João Vl mandou submergir, dentro  de redes de pesca, a  já referida Baixela. Quando voltou do Brasil, com Portugal limpo das tropas napoleónicas, o preciso tesouro foi içado das águas do Tejo.
Passando por uma das salas do Palácio de Queluz D. João surpreendeu um ladrão com um par de castiçais de prata na mão.Com a sua proveta bonomia limitou-se a dizer-lhe; Leva, leva, que eu não digo nada a ninguém

No tempo da outra senhora, um conhecido aristocrata que por linhas muito tortas afim do Ditador, depois de muito bem bebido, como bom português, resolveu urinar na via pública. O polícia de serviço preparou-se para o multar. Usando a frase tão corrente na época: o senhor sabe com quem está a falar? Olhe que eu sou um munícipe!

Gigi. Bochechas. Marocas (é fixe). Animal Politico. É claro que nos estamos a referir ao ex-Presidente da Republica, Dr. Mário Soares. Apesar de ter vivido por largos períodos de tempo em França o seu francês é de susto. As “portuguesissímas” pataniscas de bacalhau são o seu prato preferido. Em Paris é natural que comesse um belo bife. <charolais> com patates tout au tour ovo à cheval. Mas o que não esquecemos foi ter incluído numa frase o seguinte: le future de ma terre

O futuro da sua terra (e nossa) é negro. O Senhor é um optimista (bem haja) e dirá cinzento…
Hoje tentamos tocar, o mais ao de leve possível, nas teclas, é dia de descanso para os que trabalham e para aqueles que estão estafados de não trabalhar.

RAPALADO