Tocar no pão, ou seja subir o seu preço é o princípio de um fim desastrado.
Sempre o foi.
Já todos o sabemos que o valor dos cereais aumenta devido ao fato de os mesmos serem utilizados para a produção dos combustíveis. Também notamos que o custo da energia eléctrica deu um salto para cima considerável.
Fazendo uma simples análise chegamos à conclusão que “o comer” como lhe chama o povo, vai a caminho de preços incomportáveis.
O aumento do custo do pão (a comida) sobretudo em Portugal, que traz no subconsciente o espectro de muita fome que já passou, é assustador.
Na vida de muita gente o mais importante é ter a barriga cheia, e quando em vez de pão tiver apenas o preço deste, a dar-lhe voltas no estômago, as coisas ficam muito complicadas.
Também é verdade que muitas pessoas, julgando-se ricas, quiseram ter tudo o que os outros tinham. Só um euro? É barato... São os endividados. Se perdermos o euro a vida subirá, pelo menos, dez vezes. E então?
Se isto acontecer não nos espantaria ver gente pálida de fome a conduzir carros e outra, sem pão nem combustível, a destruir com picaretas as Scut e auto-estradas. Ao libertar tais espaços do asfalto ficaria com terra para sobreviver plantando batatas. Ao terreno chamaria seu por que o andou a pagar.
Entretanto o primeiro-ministro areja-se num vento de imunidade chamada crise mundial. Esse vento ou outro, escova-lhe o fatinho Armani que usa com desplante como se estivéssemos a viver em tempos áureos.
Esperamos que não diga como a Rainha Maria Antonieta - se não têm pão dai-lhes brioche – Há uma diferença abissal. A Rainha nunca na vida terá comido pão, nem em Schönbrunn, nem em Versalhes e entende-se a razão de desconhecer a importância simbólica e real do pão
Já José Sócrates ainda desplumado, comeu muita carcaça no tempo em que era conhecido por Zézito da Covilhã mas hoje sabe muito bem o peso que tem o pão numa sociedade
Senhor primeiro-ministro tenha decoro e respeito por aqueles a quem impõe uma austeridade logo seguida de uma outra (a Alemanha obriga). Todavia sob os seus olhos e complacência surripia-se sem pejo o pouco dinheiro que resta nos bolsos da maioria dos portugueses.
Desejamos-lhe um sono agitado e pejado de pesadelos onde se sinta orgulhosamente só como o velho Ditador, e por favor deixe o seu triunfante sorriso em casa.
Um sorriso que é, dadas as circunstâncias em que se vive, um desaforo.
Se o Governo cair, e com ele o atual primeiro-ministro, o engenheiro “mais ou menos” já afirmou que se recandidatará.
Compreende-se. Deixar de governar como lhe dá na plebeia gana; acabar-se-lhe o espavento, as mordomias, as viagens, os motivos para as suas maldades socráticas, são perdas excessivas.
O mais acertado é esperarmos e deixarmos correr, só que ninguém sabe exactamente o quê.
RAPALADO
Muitíssimo bem escrito.
ResponderEliminarDesejo-lhe também (ao engenheiro mais ou menos), que além de um sono muito agitado, volte também a comer carcaças! Só carcaças! Mas só ele.