domingo, 24 de abril de 2011

Liberdade, Igualdade e Fraternidade


Os comentários são inúteis quando os factos falam por si. A Revolução Francesa aconteceu  há  mais de dois séculos. Nunca se gritou tão alto, como nessa altura por Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Que sentido têm hoje essas três palavras? Nenhum.

A Liberdade é uma utopia. Os homens, pela sua condição humana, apenas alcançam pequenas e efémeras liberdades. Livres são as crianças quando por completo desinformadas e alguns loucos nas mesmas condições. Livres talvez sejam os pássaros!

No seu poema mais divulgado (Liberdade), Pessoa dá-nos exemplos de pequenas liberdades:  
Ai que prazer! Não cumprir um dever/Ter um livro para ler/ E não o fazer…

Vivemos num mundo cruel onde toda a espécie de informação nos chega quer verdadeira ou falsa, útil ou inútil. Mordaz. Gananciosa e muitos outros adjectivos servem para a vestir. A "Liberdade" que nos é dada hoje será  uma  prisão amanhã. Não acreditam? Com o apoio das novas tecnologias somos controlados como nunca e no futuro…pior será ainda. Por paradoxal que pareça o mais parecido com a LIBERDADE está na solidão, mas a um alto preço.

Quanto à Igualdade, os homens não nascem livres nem iguais, primado á sombra do qual se tem pretendido ultimamente, governar o Mundo ou dizer-lhe que é governado sob este princípio. Não se pode fazer à força de um tropical um nórdico, de um oriental um ocidental, nem transformar um mentecapto num cientista. As pessoas não nascem iguais nem livres. Não nascem homens mas crianças o que é completamente diferente e, ao  nascerem,  apenas iguais na fome que trazem mal abrem os olhos. Os seres humanos só são muito idênticos nos seus comportamentos básicos.

Quanto à Fraternidade depois da Revolução Francesa são, pela negativa de alta relevância: o período napoleónico, duas guerras mundiais e todas as outras que lhes sucederam e vão sucedendo. Bela Fraternidade…

Napoleão foi considerado um génio como estratega militar, nunca entendemos tal classificação. Sabemos sim que foi um visionário arrivista e que carrega à sua responsabilidade um milhão de mortos. Encontrou uma França GRANDE e deixou-a derrotada e mais pequena. O diabólico estratega invadiu Portugal três vezes e roubou-nos desalmadamente, fraternalmente. (Só não nos levaram os cabelos por que naquele tempo ainda não se tinham inventado as extensões capilares) E fez perigar a nossa independência! Depois deste desabafo anti-corso, voltemos à querida  Liberdade.

Onde está a LIBERDADE se nascemos sem o ter pedido. Brancos, pretos, amarelos., numa  época determinada, num meio que não elegemos. Tanto se nasce pobre como rico, são ou doente, belo ou medonho, inteligente ou bronco, com bons ou maus genes. Onde raio estás tu, LIBERDADE?

O que comanda a vida é o peso ou a leveza do acaso e o acaso fez-nos portugueses e, aconteça o que acontecer, portugueses seremos, até ao fim.

RAPALADO

domingo, 10 de abril de 2011

O INIMAGINÁVEL ACONTECE


Hugo Marçal. Não se recordam? Seremos breves e sucintos. Hugo Marçal advogado em Elvas foi condenado a seis anos e meio por pedofilia no arrastado Processo da Casa Pia. No início defendeu, como causídico, o Bibi acusado pelos mesmos crimes. Tudo isto é conhecido por toda a gente. Aquilo que talvez não saibam é o que tão sinuosa alma anda fazendo.
Marçal recorreu ao Centro de Estudos Judiciários (em Espanha), onde tem o número 208 para ser Auditor de Justiça e depois… JUIZ! Mas há mais, como é Doutor em Direito, por lei, fica isento de prestar prova escrita e oral. Infelizmente há mais. Terá o privilégio de não ser julgado num Tribunal de Primeira Instancia. Maquiavélico.
(para um mais claro esclarecimento ver Diário da Republica, pág.4961, segunda série)

Terror nuclear

A catástrofe que se abateu sobre o Japão é apocalíptica. Os japoneses, tal como nós, vivem numa área sismal e reagem com uma serenidade oriental, conscientes da sua peculiar situação. Sempre se prepararam para suportar os frequentes sismos de que são vitimas. Só que para lá de um tremor de terra que chegou com uma intensidade de 8,9 na escala de Richter, foram varridos por um portentoso tsunami que fará milhares de mortos.

Que andamos nós a fazer com as nossas curtas vidas? Asneiras. E a maior é, sem dúvida, a utilização da energia nuclear. As centrais nucleares, mundo fora, são núcleos infernais, capazes de despoletar as maiores tragédias de sempre, acima da capacidade de aceitação da alma humana.

Filhos do século XXI, rodeados de tanta inovação, de tanta nova tecnologia, duvidamos sermos mais felizes do que aqueles que nos antecederam. Confessamos no entanto, sentir uma certa relutância perante a mentalidade reinante no fim do século XIX e início do século XX. As pessoas de então, na posse da electricidade, do telefone, do automóvel, do telégrafo da máquina a vapor e por aí fora, sentiram-se os senhores do mundo, convictos de que já não havia nada mais para inventar!
Santa inocência. O que se concebeu depois desse tempo é gigantesco, tempo em que era comum nascer, procriar e morrer numa mesma cama!

Aqueles que forem os filhos do século XXII, se existirem, também terão um certo sorriso displicente, ou mesmo uma certa comiseração pelo nosso tempo, considerando-nos uns primários, tão primários que até nos reproduzíamos como os animais selvagens.
Eles serão homens made in laboratório.
Uma coisa parece provável. A dictomia entre os privilegiados dos outros, causa de todas as guerras, lutas e ambições, continuará. Nem todos serão perfeitos, limpos dos genes indesejáveis: sãos, belos e inteligentes. Os tais outros, viverão sobre as vicissitudes de hoje, tal como nós.

Não há paraísos para todos.
Nunca haverá…

RAPALADO