Pessoa disse-nos que o poeta é um fingidor, os portugueses na generalidade
são poetas e o povo é-o sobretudo como fazedor de quadras, fingidor,
improvisador, o que traduz uma certa preguiça. Escrever ou inventar umas linhas
rimadas é bem mais simples do que escrever um Tratado!
Fernando Pessoa (Caricatura)
O português tem também alma de comerciante que exercitou com as suas
andanças pelo mundo. Um comerciante um tanto reles de coisas e de factos e
remisso nas atitudes.
Com a achega dos genes de Dª Filipa de Lencastre desvendou o Mundo e por
vezes e por excepção até chega a ser genial. Com tal gente tudo é possível até
conservar um país com quase mil anos improvisando. Na ordem do dia está a
licenciatura do ministro Miguel Relvas, na ordem de ontem esteve a
formatura de Sócrates. Comentários para quê somos especialistas em
inéditos procedimentos.
Raínha D. Filipa de Lencastre
Depois de um inverno sem um pingo de chuva, uma primavera fria e desabrida
chegámos a mais um verão a estação mais tonta do ano, alguns têm
férias mas muitos estão a viver férias forçadas devido ao desemprego em ascensão.
O Mundo vai numa cavalgada a toda a brida â beira de um precipício. Há
fome, esta triste situação com o rolar do tempo será mais do que evidente, mundo
fora. As palavras que se seguem foram trocadas entre duas
figuras de alto contorno e responsabilidade politica - «Há que eliminar estômagos
imprestáveis - Como? Por guerras da fome»
Para contraste com este cenário desolador vamos a um alacre mercado
- O homem é vendedor de marisco fresco. Prazenteiro atrás de uma bancada
de pedra com cheiro a mar, apregoa as suas lagostas vivas.
Mão feminina de potencial compradora pega numa lagosta inerte e
desdenhosa diz-lhe que aquela está morta. Juro por Deus que não está e
acrescenta: Está viva. Essa só desmaiou agora mesmo! Este português
deveria ser relações públicas de uma grande empresa do ramo alimentar porque
90% do que ingerimos é comida desmaiada. O desmaio é visível no coração dos
morangos ou no amago das couves, na palidez da pele e da carne dos frangos,
perus ou patos. Nas argamassas congeladas donde saem o pão e os bolos.
Apesar de tudo temos uma juventude radiosa (quando não drogada) e vivemos
até idades bem avançadas. Somos seres humanos de boa estirpe e portentosos
omnívoros. Engolimos de tudo até criminosos de primeira grandeza à solta.
RAPALADO




