domingo, 22 de julho de 2012

À PORTUGUESA


Pessoa disse-nos que o poeta é um fingidor, os portugueses na generalidade são poetas e o povo é-o sobretudo como fazedor de quadras, fingidor, improvisador, o que traduz uma certa preguiça. Escrever ou inventar umas linhas rimadas é bem mais simples do que escrever um Tratado!

Fernando Pessoa (Caricatura)

O português tem também alma de comerciante que exercitou com as suas andanças pelo mundo. Um comerciante um tanto reles de coisas e de factos e remisso nas atitudes.

Com a achega dos genes de Dª Filipa de Lencastre desvendou o Mundo e por vezes e por excepção até chega a ser genial. Com tal gente tudo é possível até conservar um país com quase mil anos improvisando. Na ordem do dia está a licenciatura do ministro Miguel Relvas, na ordem de ontem esteve a formatura de Sócrates. Comentários para quê somos especialistas em inéditos procedimentos.

Raínha D. Filipa de Lencastre

Depois de um inverno sem um pingo de chuva, uma primavera fria e desabrida chegámos a mais um verão a estação mais tonta do ano, alguns têm férias mas muitos estão a viver férias forçadas devido ao desemprego em ascensão.

O Mundo vai numa cavalgada a toda a brida â beira de um precipício. Há fome, esta triste situação com o rolar do tempo será mais do que evidente, mundo fora. As palavras que se seguem foram trocadas entre duas figuras de alto contorno e responsabilidade politica - «Há que eliminar estômagos imprestáveis - Como? Por guerras da fome»

Para contraste com este cenário desolador vamos a um alacre mercado - O homem é vendedor de marisco fresco. Prazenteiro atrás de uma bancada de pedra com cheiro a mar, apregoa as suas lagostas vivas.


Mão feminina de potencial compradora pega numa lagosta inerte e desdenhosa diz-lhe que aquela está morta. Juro por Deus que não está e acrescenta: Está viva. Essa só desmaiou agora mesmo! Este português deveria ser relações públicas de uma grande empresa do ramo alimentar porque 90% do que ingerimos é comida desmaiada. O desmaio é visível no coração dos morangos ou no amago das couves, na palidez da pele e da carne dos frangos, perus ou patos. Nas argamassas congeladas donde saem o pão e os bolos.

Apesar de tudo temos uma juventude radiosa (quando não drogada) e vivemos até idades bem avançadas. Somos seres humanos de boa estirpe e portentosos omnívoros. Engolimos de tudo até criminosos de primeira grandeza à solta.

RAPALADO

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