domingo, 5 de agosto de 2012

OS DOIS AMANTES

No mundo de hoje as pessoas circulam nele com facilidade e mais do que nunca. Este fenómeno de gente em aturadas deslocações cria, por vezes, certas situações difíceis de gerir.

Nova Iorque

Numa viagem entre Nova Iorque e Paris conversamos com uma mulher com uma idade indefinida. Os truques de que as mulheres se servem são tantos que tanto podem parecer trinta anos como quarenta. Não importa.

No decorrer das palavras trocadas apercebemo-nos de que repartia o seu tempo entre os EUA e a Europa. Curiosos procuramos saber se mais feliz e adaptada num lado ou no outro do Atlântico. A nossa acidental companheira de viagem foi explícita: «Tenho dias em que sinto verdadeira paixão por Nova Iorque, outros em que a odeio.

A América do Norte é como um amante novo, alegre, enérgico, otimista descomplicado e até ingénuo mas exigente. Pela Europa jamais sinto paixão, a Europa atual já não é o que era... Parece que secou ela que iluminou o mundo, mas como dizia não sinto nem paixão nem ódio é o meu amante maduro pelo que tenho apenas ternura e um certo amor.

A União Europeia é absorvente, complicada, confusa, emocional. É difícil de explicar. O amante novo, os Estados Unidos dão-me energia. Razão para viver. A Europa, o amante velho, razão para não querer morrer. Olhe, já não sei. Vivo cá e lá. Entre os dois amores o meu coração balança»

Paris

Os portugueses emigram como nunca. O desemprego a isso os obriga. Trabalhadores na construção civil, mecânicos, na restauração, não importa em que atividade dignificam o seu país de origem. Aqui podem ser preguiçosos ou menos cumpridores, mas lá fora, são exemplares.

Os nossos cientistas também partem para se enquadrarem em meios científicos onde encontram melhores condições para os seus trabalhos ou pesquisa. Na generalidade nenhum português abandona definitivamente Portugal por desamor. E volta, sempre que possível, por paixão.

Berlim

A maioria dos alemães crê que só tirariam vantagens se estivessem fora da zona do euro, segundo a sondagem de 29/7/12.

Tão pouco acreditam que a Grécia tenha capacidade para se manter na moeda única. A Alemanha já fez tudo quanto necessitava… Recuperou a sua asa esquerda, cuidou-a e agora voa segura com as duas.

Tem uma indústria sólida e uma clientela (não euros) nos países ricos do Oriente, a China e a India. Para que precisam os alemães dos euros?  Ai, euros, euros onde irão acabar e quando?

Nós, entretanto, vamos troikando…

RAPALADO

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