Nova Iorque
Numa viagem entre Nova Iorque e
Paris conversamos com uma mulher com uma idade indefinida. Os truques de que as
mulheres se servem são tantos que tanto podem parecer trinta anos como
quarenta. Não importa.
No decorrer das palavras trocadas
apercebemo-nos de que repartia o seu tempo entre os EUA e a Europa. Curiosos
procuramos saber se mais feliz e adaptada num lado ou no outro do Atlântico. A
nossa acidental companheira de viagem foi explícita: «Tenho dias em que sinto
verdadeira paixão por Nova Iorque, outros em que a odeio.
A América do Norte é como um amante
novo, alegre, enérgico, otimista descomplicado e até ingénuo mas exigente. Pela
Europa jamais sinto paixão, a Europa atual já não é o que era... Parece que
secou ela que iluminou o mundo, mas como dizia não sinto nem paixão nem ódio é
o meu amante maduro pelo que tenho apenas ternura e um certo amor.
A União Europeia é absorvente,
complicada, confusa, emocional. É difícil de explicar. O amante novo, os
Estados Unidos dão-me energia. Razão para viver. A Europa, o amante velho, razão
para não querer morrer. Olhe, já não sei. Vivo cá e lá. Entre os dois amores o
meu coração balança»
Paris
Os portugueses emigram como nunca.
O desemprego a isso os obriga. Trabalhadores na construção civil, mecânicos, na
restauração, não importa em que atividade dignificam o seu país de origem. Aqui
podem ser preguiçosos ou menos cumpridores, mas lá fora, são exemplares.
Os nossos cientistas também partem
para se enquadrarem em meios científicos onde encontram melhores condições para
os seus trabalhos ou pesquisa. Na generalidade nenhum português abandona
definitivamente Portugal por desamor. E volta, sempre que possível, por paixão.
Berlim
A maioria dos alemães crê que só
tirariam vantagens se estivessem fora da zona do euro, segundo a sondagem de
29/7/12.
Tão pouco acreditam que a Grécia
tenha capacidade para se manter na moeda única. A Alemanha já fez tudo quanto
necessitava… Recuperou a sua asa esquerda, cuidou-a e agora voa segura com as
duas.
Tem uma indústria sólida e uma
clientela (não euros) nos países ricos do Oriente, a China e a India. Para que
precisam os alemães dos euros? Ai,
euros, euros onde irão acabar e quando?
Nós, entretanto, vamos troikando…
RAPALADO



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