Parece simples ser um ser humano, no
entanto é uma condição de extrema complexidade. Chegamos ao Mundo em qualquer
época (sem o ter pedido) carregados de genes vindos do fundo dos tempos, dos
quais jamais nos livraremos. Trazemos uma certeza única: sermos avant la
lettre condenados à morte. Trazemos ainda o instinto de sobre vivência e temos uma vida CURTA.
Somos filhos de uma Natureza pejada de seres
vivos e outras coisas infinitas que nem mil vidas nos bastariam para as
conhecer, entender ou descobrir. Vivemos prisioneiros nesta bola azul no
Universo. Um Universo, outro paralelo ou milhões deles?
Dominados por uma Ditadura feroz, uma
Ditadura de excelência. Quem a impõe? A Natureza. Faz do Mundo, ou seja daquilo
que for, o que lhe apraz quando e como quer. Nós nas suas mãos somos apenas
títeres com que parece divertir-se e procura de que tudo quanto é vivo, jamais
se extinga para sempre.
E julgamos, por vezes, sermos donos
da nossa própria vida. Depressa passa essa ilusão. Basta para tanto que a
Natureza nos dê a primeira estocada
Animais humanos. Se rasgarmos um animal
de um certo porte, como um porco por exemplo, o que vemos são vísceras em tudo
idênticas às nossas e com as mesmas funções. Todos os seres vivos são providos
de mente, nós também.
O que nos torna diferentes de um animal que
caracterizamos de irracional é o facto de termos neurónios. Senhores de neurónios
é nos possível pensar, falar, imaginar (a imaginação é a doida da casa, como nos
disse Nicolas Mallebranche) e a partir dessa louca imaginação, criar. Esta é a
qualidade in excelsis do ser humano. E a maior criação
humana é a linha recta, que não existe na natureza. Tudo mais copiamos dela,
arrancamos dela. Uma Natureza bela aos nossos olhos porque não temos com que a
comparar.
E a felicidade existe? Sim e não. Para
os estúpidos ela é fácil pois qualquer banalidade fútil lhes dá momentos felizes.
Quem tem uma inteligência superior é dono de uma potencialidade que o torna
capaz de aceitar uma felicidade construída no efémero e tão criativa onde a
insatisfação não tenha cabimento.
Entretanto o Papa Bento XVI escreveu um
livro onde nos diz que nos presépios a vaca e o burro não têm razão para neles
figurarem pois no lugar onde Jesus Cristo nasceu não havia animais. A vaca e o
burro foram saneados.
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| Presépio |
Estamos na altura em que os presépios em todo o mundo
católico são trazidos carinhosamente para o convívio das pessoas como supremo símbolo
do nascimento de Cristo. Por atavismo e rotina ninguém vai ter coragem de por a
vaca e o burro no lixo. O Papa diz-nos mais, que Cristo nasceu uns seis ou sete
anos antes da data que temos convencionada. Reafirma a virgindade de Maria, e
sendo assim, cientificamente, teríamos em Cristo o primeiro clone humano.
Segundo a lenda, na sua fuga para o
Egipto com José, a virgem grávida viaja montada num burro com os seus parcos
pertences. Chegada a hora eminente de dar à luz acolhem-se no primeiro lugar
possível e recorrendo à lógica por certo não se desfizeram do burro! Pequenas
coisas com uma relevância relativa porque estas citações papais têm sobre elas
o peso de dois mil anos de história.
O certo é que Jesus Cristo, idêntico a
qualquer ser humano do seu tempo é uma figura única, ímpar. Com 12 anos de
idade discutiu no Templo com os doutores e deixou-os deslumbrados com as suas
respostas mas só aos 30 anos começa a sua missão. Baptismo, evangelização.
Quer dizer que em apenas três escassos anos revolucionou meio Mundo de tal
forma que ainda hoje vivemos na era de Cristo. Afirmou numa sucinta frase que
todos os homens eram iguais. Os escravizados, aqueles que nada tinham e que
jamais imaginaram ser possível tal situação seguiram-no cegamente.
O tempo sempre demonstrou que os homens
não são todos iguais. A maioria da humanidade (cerca de 7 milhares de milhões)
tem uma vida anónima e simples (respirar) comer, beber, defecar, dormir, ter
uma vida sexual activa, ocuparem-se com as mesmas rotinas é quanto lhes basta e
alheados de tudo o mais. Os outros que não têm este privilégio simplista, esses
não lhes são iguais.
As noites estão frias. Durmam, nos
tempos que correm, dormir (sem pesadelos) é um excelso luxo como não há outro e
mais um amanhã talvez vá ao vosso encontro e os leve a perguntar: Para
que serve a humanidade?
E nós ainda nos perguntamos por qual
razão fez a Natureza as vacas? Para nos alimentarem ou mais propriamente
para aleitarem os que vão chegando, embora seja contra natura… As
pequenas ou grandes tropelias que lhe fazemos pouco lhe importam. A Natureza
segue no comando da sua portentosa Ditadura.
E os burros para que servem os burros?
Só encontramos uma resposta. Serem burros e darem coices...
RAPALADO


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