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| Charles Baudelaire (o poeta maldito) |
O tempo não
passa está. Nós é que o contamos por horas, dias, anos, séculos
e temos os segundos para o esfrangalhar. Um misero segundo
simultaneamente passado, presente e logo futuro. O grande poeta francês
Charles Baudelaire, no seu poema L'Horloge chamou a esse miserável insecto
imundo.
O tempo não
tem forma, identidade é invisível e talvez eterno. Todavia tudo quanto nos
toca efémero é e assim, a palavra sempre, em qualquer língua, uma utopia de
excelência pois nada é para sempre.
Chamamos
século a um ciclo de 100 anos. Séculos antes de Cristo, depois de Cristo e cada
um deles com características muito próprias e, segundo a era, formas muito
diferentes de levar a vida.
Quando
mencionamos o século XV esse é nosso o das gloriosas descobertas aquele em
que demos o Mundo ao Mundo e tanto mais! Demos-lhe aquilo que nunca tinham
tido: o milho, o açúcar, o tomate, os perus, isto sem mencionarmos as
especiarias. Nem todos os séculos duram cem anos alguns muito mais do que esse
período de tempo, outros muito menos.
O século
XIX foi muito longo até é comum falar-se na sua primeira parte e na segunda
metade. Teve de tudo. Começou a emergir e foi esplendoroso com o Império
Britânico, os 63 anos de reinado da Rainha Vitória.
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| Século XIX, Milão |
Puritano, familiar, mais
rural do que citadino, morre-se de tuberculose, orgulha-se e assusta-se com a
revolução industrial e as múltiplas descobertas. A eletricidade o
telegrafo, o cinema, o comboio, o automóvel e muito mais e há o que os
franceses chamam "la joie de vivre" e chega ao seu auge em 1900 com
o epíteto de "Belle Epoque". Mulheres espartilhadas com exagerados
chapéus, grandes famílias. Muitos espetáculos de opera, ballet, enfim um
rodopio.
O fim do século XIX foi muito triste. Irá morrer após a I Grande guerra
mundial e em 1918 com a gripe espanhola que ceifou entre 50 e 100 milhões de
vidas. Para nós o século passado nasce com os loucos anos 20.
Encurtam-se
as saias, dança-se o "charleston" é a época dos gangsters na
América, sobretudo em Chicago, e estaremos a dois passos da maior
tragédia deste curto século, a 2ª Guerra mundial (1939-1945).
E o nosso
século XXI quando começa? Nos finais dos anos 60, com o Maio de 1968. A
pílula anti conceptiva. A libertação da Mulher - com a corrida ao espaço, com o
nascer das novas tecnologias. Talvez fique conhecido como o século do "Toque" porque
com um simples e leve toque com as pontas dos dedos realizam-se milhares de coisas.
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| George Orwell |
As novas
tecnologias chegam-nos a cada dia e sempre inovadoras. Deram à Ciência e à
Medicina um avanço que deslumbra e, simultaneamente, estão a levar-nos para a
Grande Ditadura! Tudo, absolutamente tudo, será controlado ao ritmo do tal
"insecto imundo". O livro
"1984", George Orwell está, neste momento, a nível mundial, com uma
cifra de vendas extraordinária. A razão é que as pessoas se deram conta de
que hoje, a ficção não é ficção, mas a realidade, e quanto do
passado será de uma inutilidade total, e quanto de novo surgirá se a Natureza
não se cansar de nós e a Terra ainda existir.
Um mundo
"Orwelliano" está aí, real, invasivo, vigilante, controlador e
espiando. Não faz falta mencionar o que está a acontecer nos Estados Unidos, em
relação às redes sociais, aos telemóveis e à correspondência (o Governo
Britânico espiou as comunicações e os computadores das delegações que
participaram nas Cimeiras do G20, em Londres, em 2009).
Futuro,
ficção ou realidade:
· A extinção
de muitas espécies animais.
· A fuga
das grandes cidades. Serão museus.
· O fim
dos cemitérios.
· A normalidade com que se celebrará a eutanásia.
· Deslocações
sobre pisos apropriados para sapatos deslizantes
(já existe calçado com luzes
nos calcanhares)
· A extinção
do automóvel. Um brinquedo volumoso.
· A despoluição mais do que urgente dos Oceanos, com milhões de
nano-partículas de plástico tóxico.
No dia em
que fabricarem seres humanos em laboratório, em úteros artificiais, e compostos
de genes escolhidos com uma minúcia científica correctiva, caminharemos para o
apuro da estirpe humana. Hitler tentou, "caseiramente", fazê-lo para
a raça Ariana.
Que distância entre uma coisa e outra! Esta forma de apuro de
raça será a anulação estrutural da família. Os indivíduos serão, desde o
início, destinados a determinada função segundo a sua estrutura física e
psíquica e a qualidade dos seus genes.
No entanto,
o eterno dualismo persistirá. Uns e os outros. Haverá quem se reproduza à
maneira antiga, como os animais, cegamente. As fêmeas dos animais, por instinto
ancestral, são selectivas na escolha do macho que as fecunda.
Bom,
construiremos muitas ilhas artificiais, temos muito mais oceanos do que terra,
e será inevitável o retorno à Natureza.
Os homens
andam à mais de um século com a mesma farda: calça, camisa, casaco e gravata (a
gravata foi criada na Croácia e os Croatas orgulham-se muito disto). Desta antiga
farda apenas abandonaram o colete, os botões de punho, os eternos chapéus de
feltro sempre castanhos ou pretos, e a bengala, adorno "dandy". As
mãos são precisas para os toques, para o telemóvel e para trazer os sacos do
supermercado. Acreditam que os homens andarão assim fardados mais um século?
As
mulheres, essas já despiram tudo o que tinham para despir. Mutantes como são
por Natureza, tudo se pode esperar delas, até o inimaginável, ainda que
ficcionado.
Voltando ao
séc. XIX puritano séc. XIX, muito voltado para o Ocultismo, existiu uma lei
Inglesa que rezava assim: "Todas as mulheres que seduzam e levem ao
casamento os súbditos de Sua Majestade mediante o uso de perfumes, pinturas,
dentes postiços, perucas e recheios nos quadris incorrem em delito de
bruxaria e o casamento fica automaticamente anulado."
Com receio
de que a antevisão da Grande Ditadura que nos espera vos tirasse o sono,
tentamos acabar este texto a fazê-los sorrir.
RAPALADO



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