Depois de abrirmos com o humor de Millôr
Fernandes (escritor, dramaturgo. desenhista, jornalista brasileiro) que
dizia: “Democracia é quando eu mando em você, ditadura é quando você manda em
mim”. Vamos em concreto para o momento em que estamos:
Na União Europeia os países vivem em
democracia. As democracias atuais diferem pois cada país tem a sua própria constituição.
Democracia traduz que os regimes que a adotam têm vários partidos
políticos. Na prática acabam por terem apenas dois flancos, a direita e a
esquerda.
No nosso país, a governar à hora presente,
temos uma coligação de direita e na oposição os socialistas. Estes jamais se
definem de forma clara e concreta. Não sabem se dormir com os partidos de
extrema esquerda, se darem as mãos à direita. Este facto tanto acontece entre
nós como nos países ditos do Sul da UE, Espanha, França, Itália, Grécia onde
a governação está sob a égide de uns ou dos outros e esta dança de alternância
não muda.
As populações chegada a hora de votar
esquecem ou desconhecem como governou o partido antecedente e, por impulso,
crêem que mudar é a solução para resolverem os problemas com que se debatem.
O maior problema com que todos nos
deparamos é o desemprego e para aqueles que ainda têm trabalho é o salário
mínimo. A pretensão de o conseguir a um nível aceitável não é só nossa é uma
luta a nível mundial.
A Alemanha decidiu que estipulará um ordenado
mínimo em 2015. Na Suíça, no próximo dia 18 de Maio, os cidadãos irão
lutar por um ordenado mínimo de 4.000 francos suíços (3.281 euros). No reino do
Camboja os trabalhadores da área têxtil pretendem um salário mínimo de 115
euros! Que comentar, concluímos que esta luta se processa a nível
mundial e que as disparidades são gritantes. Vivemos num mundo cão.
Outro problema grave e
com resultados que tudo apontam serem desastrosos é a invasão
diária de centenas de subsaarianos que entram UE adentro. Que
futuro está reservado para a União Europeia. Quem é que ousa fazer
hoje tal previsão ?
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| Refugiados Africanos na Ilha de Lampedusa |
Em concreto Portugal está livre da Troika
e é imperioso manter-se assim. Também é verdade que em três anos
o governo atual conseguiu, com trabalho aturado e sobretudo com os sacrifícios
dos portugueses deixar para trás o precipício onde nos plantou o anterior
governo socialista à beira de uma rotunda banca rota.
Governar é prever. Era. Na atualidade o
imprevisível chega-nos a cada instante e a natureza parece acompanhar esta
imprevisibilidade. Olhamos com mágoa o deslizamento de terras no Afeganistão
que provocou a morte a mais de 2.700 pessoas. Causa próxima, chuvas torrenciais,
causa remota, os degelos? E ainda os infernais e devastadores tornados nos
EUA.
Fecharemos com duas citações dignas de
voltarem a ser reproduzidas. Uma do Papa Francisco que tem um invulgar dom
da palavra justa. Há poucos dias disse: “Às vezes, na nossa vida, os óculos para
vermos Jesus são as lágrimas”. O Papa leva as suas palavras a todos, mesmo ao
coração daqueles que não são crentes.
Lobo Antunes autor português de alto
valor quando publicou o seu último livro disse: “Ninguém escreve como eu,
nem eu”. Citação que sublinha a sua rara e brilhante personalidade.
Para fechar diremos que tanto a direita
como a esquerda têm um verdadeiro medo dos cientistas. É que eles são
muito mais poderosos do que os políticos que julgam estar na posse de todo o
poder. No fundo a ciência é a força suprema que tudo domina e modifica.
RAPALADO


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