domingo, 14 de agosto de 2011

NOS BRAÇOS DO VERÃO

É uma questão de coerência. Pela data em que nos encontramos falar-vos de calor e verão. Herdamos pouca Terra e muito Mar. Pena é não haver capacidade para explorar tamanha riqueza. Temos muitas praias que estão a abarrotar de gente. Já nada é como foi nem mesmo o Sol que nos chega através dos buracos existentes na camada de ozono. 

Bastam-nos apenas uns escassos dez minutos diários de exposição ao Sol para repormos a vitamina D de que precisamos e o nosso organismo não produz.

Noutros tempos, um número reduzido de pessoas (talvez as privilegiadas), iam fazer praia só em Setembro antes da época das marés vivas e tomavam banhos curtos e revigorantes. Jamais se esparramavam aos raios solares como se fossem bacalhaus em secagem.

Nos tempos actuais há uma espécie de fobia, de uma atracção apelativa, sobretudo nos jovens, pelas grandes aglomerações como se só inseridos numa multidão se sentissem gente e a fazer parte do mundo. As praias são um destes locais de ajuntamento.

A moda de se estar bronzeado foi lançada por Coco Chanel por volta dos anos vinte do século passado. Coco, no fundo uma provinciana, fez carreira na alta-costura e dizia que a moda é aquilo que passa de moda e esta, como qualquer outra, também passará.

Já há muita gente a seguir numa direcção diversa procurando qualidade de vida, tempo para viver devagar os momentos livres. São os metro sexuais - Homens heterossexuais cuidados, elegantes, com um estilo de vida precisamente afastado das grandes massas, muitos  deles com um trabalho independente e fora das grandes metrópoles.

As praias ou quaisquer outros locais estão na moda durante um período limitado enquanto são frequentadas por certas elites ou celebridades. Deixam de o ser logo que invadidas por pessoas atraídas por um sítio que está na moda. Um caso típico deste fenómeno foi Marbella, no sul de Espanha. A estância balnear mais elegante de França, Deauville desde que foi construída a auto-estrada (route du Soleil) que vem do Norte de França em direcção à Côte d´Azur voltou a recuperar a sua elegante clientela. A corrida por esta auto-estrada para o Sul foi alucinante e os engarrafamentos de trânsito de tal ordem que a lentidão permite que se coloquem colchões de praia nos tejadilhos dos carros e assim fazerem um prévio bronzeamento chegando ao destino com uma corzinha como se lá estivessem há muito tempo! Vidas de faz de conta.

A juventude diverte-se em qualquer circunstância. Basta sermos novos para tudo ser risonho e despreocupado, pouco lhes importa o que vai pelo mundo, seguem os seus impulsos imediatos, e viva a vida! Pois vivam-na com todo o ardor que tiverem dentro da alegria que vos é própria mas fugindo do Sol excessivo. O cancro da pele mata e viver é um bem como não há outro de tanta valia. Nem todo o ouro do Mundo vale uma vida, a nossa.

RAPALADO

1 comentário:

  1. Como sempre, os teus comentários são FENOMENAIS, por dizerem a verdade, com o teu incomparável espírito.
    Um beijo e continua com a tua necessária tarefa.
    JE

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