domingo, 2 de setembro de 2012

O «PIRISMO»


O pires é um pequeno prato para usar como suporte de uma chávena de café ou de chá. O pires na nossa linguagem corrente é o cursi para os espanhois, o tacky para os americanos. É tudo o mesmo só que em cenários diferentes – Piroso, piroseira, pirismo, (pires) são palavras que nem sequer aparecem num dicionário - mas existem e infiltram-se por todo o lado com piolhos por costura. Na generalidade das artes, literatura, teatro, escultura, cinema e de sobre maneira em programas televisivos.

Há pirosos e piroseiras em tudo quanto é canto no mundo civilizado. O pirismo nada tem a ver com o belo ou o feio, a idade, o dinheiro ou falta dele, ou a classe social. É um fenómeno difícil de definir, bem mais fácil dizer aquilo que jamais é piroso, ou seja a Natureza e os animais em estado selvagem.

     Natureza                   Cavalo Selvagem

São as pessoas, os objetos de que se rodeiam onde o pirismo é mais evidente. Na roupa em que se embrulham, na maneira de andar, no tom de voz, nas frases que utilizam, como se sentam e levantam e Santo Deus nos gestos!

A génese desta forma de ser e estar está na inveja, no mimetismo, no exibicionismo, na ânsia de afirmação, no pretensiosismo e também na incultura. Enfim não há nada mais piroso do que um piroso, até se nasce assim!

Na altura da revolução de 1974 os Anarquistas deram largas à sua imaginação e encheram o país de cartazes, escreveram nas paredes e gritaram aos quatro ventos os seus slogans. Pintaram a manta. No Aeroporto - «O ultimo a sair apague a luz!». Num cemitério - «A terra a quem a trabalha». Eram às centenas mas o mais curioso, por anacrónico, foi o seguinte: «O Cunhal é piroso!» A graça está no facto de que Álvaro Cunhal foi tudo o que quiserem (até «Czar» do rebanho exaltado dos comunistas de então), mas uma coisa é certa de piroso nunca teve nada!


RAPALADO

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