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| Gustavo de Matos Sequeira |
Hoje temos algo para muito Bem Dizer. No dia 18 deste mês de Outubro no aconchego do Teatro Aberto, azul como a noite, foi dado à luz um livro magnífico - Gustavo de Matos Sequeira Retrato de um Olisipógrafo - da autoria do seu bisneto Mário Berberan e Santos e apadrinhado por António Valdemar, académico, jornalista (a Avenida da Liberdade, no Diário de Notícias, foi dele durante largo tempo) entre muitas outras coisas e hoje em dia, Presidente da Sociedade Nacional das Belas Artes. A impressão é cuidadíssima, obra da Imprensa Nacional Casa da Moeda.
O livro, profusamente ilustrado, faz minuciosamente
e com a maior sensibilidade e delicadeza, o retrato da vida de um homem que se
deu por completo a Lisboa. Á cultura, ao jornalismo, ao teatro aos livros
que escreveu. A um trabalho tão vasto que diríamos ser quase impossível, tanto
ser produzido por uma única pessoa, mas foi e todas essas obras ilustram e
valorizam este nosso país.
Diz-se por não gostar do Carnaval, na
sua adolescência por esses dias se enfronhou no escritório da casa onde nasceu
e morreu. Na rua que hoje tem o seu nome e nunca mais deixou os seus papéis!
Senhor de uma modéstia única parecia andar a pedir desculpa, a toda a gente por
ter nascido.
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| Casa de Gustavo de Matos Sequeira |
Como desejaríamos que homens com este
valor surgissem no nosso tempo de futilidade, tempo de pressa de desapego. Gustavo
de Matos Sequeira - Retrato de um Olisipógrafo - é um livro que irá abrir portas
para as novas gerações (os seus livros por exemplo) que não deixam ninguém indiferente
que ame de todo o coração Portugal.
Matos Sequeira, republicano mas livre de
qualquer ligação a Instituições, viveu de si próprio. Constituiu uma enorme família.
Num concurso realizado não sabemos quando foi considerado o homem mais feio de Lisboa,
no entanto casou com uma mulher linda. Ele republicano ela profundamente devota
e aristocrata... A sua ascendência, a sua descendência, a sua verve como
conferencista está tudo lá neste livro inclusive os maus tratos que dava ao seu
chapéu, sempre preto em cima do qual se sentava para o domar.
Conta-se também
que sua mulher Beatriz, no verão, quando criança ia brincar com Suas
Altezas Reais no Forte de Cascais e nas pequenas zangas infantis o Príncipe D.
Manuel atiçava o seu irmão mais velho D. Luiz Filipe dizendo-lhe `bem
feito, bem feito, qualquer dia vem aí a Republica e não serás Rei! (notas
pessoais).
Matos Sequeira não temia enfiar-se em qualquer buraco onde a sua magreza se ajustasse para olhar o que Lisboa esconde nas suas vestutas entranhas. Claro foi também um arqueólogo.
Matos Sequeira não temia enfiar-se em qualquer buraco onde a sua magreza se ajustasse para olhar o que Lisboa esconde nas suas vestutas entranhas. Claro foi também um arqueólogo.
Não percam este livro! Ele aquecerá as
noites de inverno que vem a caminho. Esqueçam o computador, a televisão, o telemóvel,
e voltem gostosamente ao tempo que foi de Gustavo de Matos Sequeira que nos
deixou há meio século. Esqueçam ainda o caos em que estamos a
viver. Nada é para sempre excepto o mérito de quem o teve.
RAPALADO


é na verdade a biografia de um homem extraordinário expressa no livro que tenho entre mãos
ResponderEliminarJ. louremço