domingo, 28 de outubro de 2012

GUSTAVO DE MATOS SEQUEIRA - RETRATO DE UM OLISIPÓGRAFO


Gustavo de Matos Sequeira

Hoje temos algo para muito Bem Dizer. No dia 18 deste mês de Outubro no aconchego do Teatro Aberto, azul como a noite, foi dado à luz um livro magnífico - Gustavo de Matos Sequeira Retrato de um Olisipógrafo - da autoria do seu bisneto Mário Berberan e Santos e apadrinhado por António Valdemar, académico, jornalista (a Avenida da Liberdade, no Diário de Notícias, foi dele durante largo tempo) entre muitas outras coisas e hoje em dia, Presidente da Sociedade Nacional das Belas Artes. A impressão é cuidadíssima, obra da Imprensa Nacional Casa da Moeda.

O livro, profusamente ilustrado, faz minuciosamente e com a maior sensibilidade e delicadeza, o retrato da vida de um homem que se deu por completo a Lisboa. Á cultura, ao jornalismo, ao teatro aos livros que escreveu. A um trabalho tão vasto que diríamos ser quase impossível, tanto ser produzido por uma única pessoa, mas foi e todas essas obras ilustram e valorizam este nosso país.

Diz-se por não gostar do Carnaval, na sua adolescência por esses dias se enfronhou no escritório da casa onde nasceu e morreu. Na rua que hoje tem o seu nome e nunca mais deixou os seus papéis!  Senhor de uma modéstia única parecia andar a pedir desculpa, a toda a gente por ter nascido.

Casa de Gustavo de Matos Sequeira

Como desejaríamos que homens com este valor surgissem no nosso tempo de futilidade, tempo de pressa de desapego. Gustavo de Matos Sequeira - Retrato de um Olisipógrafo - é um livro que irá abrir portas para as novas gerações (os seus livros por exemplo) que não deixam ninguém indiferente que ame de todo o coração Portugal.

Matos Sequeira, republicano mas livre de qualquer ligação a Instituições, viveu de si próprio. Constituiu uma enorme família. Num concurso realizado não sabemos quando foi considerado o homem mais feio de Lisboa, no entanto casou com uma mulher linda. Ele republicano ela profundamente devota e aristocrata... A sua ascendência, a sua descendência, a sua verve como conferencista está tudo lá neste livro inclusive os maus tratos que dava ao seu chapéu, sempre preto em cima do qual se sentava para o domar. 

Conta-se também que sua mulher Beatriz, no verão, quando criança ia brincar com Suas Altezas Reais no Forte de Cascais e nas pequenas zangas infantis o Príncipe D. Manuel atiçava o seu irmão mais velho D. Luiz Filipe dizendo-lhe `bem feito, bem feito, qualquer dia vem aí a Republica e não serás Rei!  (notas pessoais). 

Matos Sequeira não temia enfiar-se em qualquer buraco onde a sua magreza se ajustasse para olhar o que Lisboa esconde nas suas vestutas entranhas. Claro foi também um arqueólogo.

Não percam este livro! Ele aquecerá as noites de inverno que vem a caminho. Esqueçam o computador, a televisão, o telemóvel,  e voltem gostosamente ao tempo que foi de Gustavo de Matos Sequeira que nos deixou há meio século. Esqueçam ainda o caos em que estamos a viver. Nada é para sempre excepto o mérito de quem o teve.

RAPALADO

1 comentário:

  1. é na verdade a biografia de um homem extraordinário expressa no livro que tenho entre mãos
    J. louremço

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